Maria Fernanda Lucena nasceu no Rio de Janeiro. 
Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Maria Fernanda Lucena was born in Rio de Janeiro, 
where she lives and works.

 

Exposições Coletivas

2015
Exposição “29 de Setembro”,  Largo das Artes, Rio de Janeiro. Curadoria: Marcelo Campos e Efrain Almeida

2014
Exposição Visão de Emergência, Galeria Colecionador, Rio de Janeiro. Curadoria: Marcelo Campos

Exposição À Primeira Vista, Galeria Artur Fidalgo, Rio de Janeiro. Curadoria: Brigida Baltar, Efrain Almeida e Marcelo Campos

2013
12º Salão Nacional de Arte de Jataí, Museu de Arte Contemporânea de Jataí. Jataí, Goiânia.

31º SAPLARC, XXXI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro. Rio Claro,
São Paulo. Prêmio de Menção Honrosa.

2012
19º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, Palácio das Artes. Praia Grande, São Paulo.

II Salão dos Analfabetos, Universidade Federal de Santa Maria.
Santa Maria, Rio Grande do Sul.


Formação

Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ.

2000-2001 
Modelo Vivo (Gianguido Bonfanti).

2002/2004 
Desenho Contemporâneo: produção de sentido e narratividade (Orlando Mollica ).

2009/2011 
Pintura Contemporânea (João Magalhães).

2013
Teoria e Portifólio: pré-produção, produção e pós-produção. 
(Marcelo Campos, Efrain Almeida e Brígida Baltar).

Universidade Veiga de Almeida, Indumentária e Design de Moda, 
Rio de Janeiro-RJ, 1999.

 

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Visão de emergência

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(Texto para a exposição Visão de Emergência, Galeria Colecionador, Rio de Janeiro. Curadoria: Marcelo Campos | de 4 a 27 de setembro de 2014)

Selecionar artistas atuantes no Brasil que tenham uma trajetória recente, emergente. Esta foi a tarefa norteadora da exposição. Porém, contar a história individual, separar artistas que não possuam, propriamente, unidade em mídias específicas foi o que tornou as escolhas desafiadoras. Ainda assim, quando reunidos, os trabalhos conseguem traçar percursos, estimular conceitos, criar proximidades. Contar a “experiência individual” não pode “deixar de, por fim, envolver todo árduo contar da própria coletividade”.

A personalidade da produção contemporânea se liga, muitas vezes, a contra-narrativas, ou seja: quebra de padrões, crítica social, discursos desestabilizadores. Com a escolha dos artistas e a seleção das obras, este fato se confirmou. Vemos, aqui, imagens que rasuram ideias estabelecidas pela arte ou pelo processo civilizatório. Iniciamos, então, com fotografias sobre o casamento, autorretratos de Dalton de Paula (GO) que interpreta os dois personagens. Evidencia-se o corpo negro do artista contra o jogo das cores branco e preto nas roupas, no fundo das imagens em paredes chapiscadas, na indumentária que define a divisão dos gêneros masculino e feminino. Também em preto e branco, a pintura de Cláudio Tobinaga (RJ) destaca estratégias de edição, geometrias viram elementos fálicos, paisagens se ampliam e se reduzem, ora direcionando-se ao exterior, ora convivendo com os cantos da habitação, as quinas, o rodapé. Como reflexo da atualidade e também utilizando-se do preto e branco dos jornais diários, os desenhos de Zé de Rocha (BA) são elaborados a partir de várias imagens de acidentes. Tal qual a estratégia de Andy Warhol, o artista se apropria das notícias, mas duplica distintas imagens em uma única, retirando a literalidade do fato. Alan Adi (SE) apresenta-nos o ar do tempo, a idéia de um caderno para colorir feito de reproduções de pinturas históricas que tratam de guerra. A obra se oferece, coloca-se ao alcance das mãos. Em outro momento, o mesmo artista afirma: “Eu queria ter dito isso pessoalmente”. A frase está coadunada a um vidro quebrado, o mesmo material que vemos semanalmente na imprensa, em protestos contra patrimônios públicos e privados, numa nova idéia de revolução. Como acontecera às canções de protesto, se olharmos sob outro aspecto, o revolucionário pode se ligar às desilusões do amor, os recados deixados nos espelhos. A obra, então, ganha outra perspectiva, outros predicados que aumentam sua potência. Eis a tarefa da arte, capacitar leituras variadas, não se reduzir ao ocorrido.

A compreensão colonial, do mobiliário religioso, burguês, aqui, é questionada pela TV barata do quarto de empregada, exposta na pintura de Maria Fernanda Lucena (RJ). A madeira de lei, retirada da exploração de florestas, torna-se refém da crítica a uma baixa materialidade, aos modos de trazer as ferramentas e o operário como protagonistas, nos desenhos e relevos de Emanuel Oliveira (CE). O mesmo mobiliário é refeito na narrativa fantástica dos desenhos de Diego de Santos (CE). O artista parte de uma pesquisa sobre a vida de caminhoneiros, elucidando o sentido de lar daqueles que vivem da mobilidade. A mesma natureza, explorada no reconhecimento da terra, nas promessas de um eldorado, é refeita e hibridizada nas pinturas de Adriano Motta (RJ), criando flores e frutos impossíveis. Deste modo, pensamos na realidade tropical e, ao mesmo tempo, no quanto tornamos emblemáticos os ornamentos, o barroco das volutas, o escultórico das linhas emaranhadas, como nos desenhos de Lilian Maus (RS) que elaboram proximidades a brotamentos, áreas de cultivo. Visão de emergência é um conceito de Homi Bhabha que aposta, justamente, na superfície, no advento memorável, enquanto tentamos falar em coletividade, lugar, nação. Esta exposição se destina ao desejo do porvir, iluminado expressões nascentes.

Marcelo Campos

 

 

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Emmergency view

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(Text for the exhibition “Visão de Emergência”, Colecionador Gallery, Rio de Janeiro. Curatorship: Marcelo Campos | September 4th to September 27th, 2014)

Selecting Brazilian artists with a recent and rising career was the guiding task of the exhibition. However, to tell individual stories, to select artists that do not have an unity in specific medias, made the choices specially challenging. But when gathered, the body of work is able to trace routes, to stimulate concepts, to create proximities. To tell the “individual experience” cannot “leave aside the hard work of telling the experience of the collectivity as a whole”.

Contemporary production features are many times connected to counter-narratives: breaking of patterns, social criticism, disestablishing discourses. With the selection of artists and the choosing of their works of art, this fact has been confirmed. We are able to see images that sketch established ideas either by art or by the civilizing process. Thus we start the exhibition with photos about marriage, self-portraits by Dalton de Paula, who plays both characters. The black body of the artist stands out against the black and white contrast on the outfits, the backgrounds of roughcast walls, the clothing that defines the division of genders: masculine and feminine. Also in black and white, Cláudio Tobinaga’s paintings highlight editing strategies, geometries become phallic elements, landscapes are amplified and reduced, at times directing themselves to the exterior, at others cohabiting the corners of the habitation, such as the sharp ends, the plinths. As a reflex of present times and also making use of the black and white from daily newspapers, Zé de Rocha’s drawings are developed from a variety of images of accidents. Just like Andy Warhol’s strategy, the artist grabs hold of the News, but duplicates different images in a single one, taking the literality out of the fact. Alan Adi shows us the air of time, the idea of a coloring book made from reproductions of historical paintings portraying war. The work offers itself, displays itself at the reach of the hands. In another moment, the same artist declares: “I’d like to have said it in person”. The sentence is attached to a broken glass, the same material we’ve been seeing weekly on the press media, in demonstrations against public and private property, in a new concept of revolution. Just like it once happened with protest songs, if we look from a different angle, the revolutionary may be connected to love’s disillusions, the messages on the mirrors. The work then gains another perspective, other features that increase its power. That’s the goal of art: to enable a variety of interpretations and not to be reduced to the obvious.

The colonial aspect of the religious bourgeois furniture is called into question by the cheap TV on the maid’s room, shown on Fernanda Lucena’s painting. The hardwood taken from forest exploitation becomes hostage of the critics to a low materiality, making the tools and the craftsman protagonists in Emanuel Oliveira’s drawings and reliefs. The same furniture is rebuilt on the fantastic narrative of Diego de Santos’s drawings. The artist starts from a research about the life of truck drivers, elucidating the sense of home for those who make their living on the road. The same nature, explored on the recognition of land, on the promises of an Eldorado, is rebuilt and hybridized on Adriano Motta’s paintings, creating impossible fruits and flowers. This way we reflect on tropical reality and, at the same time, on how much we’ve turned emblematic the ornaments, the baroque volutes, the sculpture on the entangled lines, just like on Lilian Maus’ drawings that elaborate proximities to sprouting, cultivation areas. Visão de emergência, “Emmergency view”, is a Homi Bhabha’s concept that lays a wagger on the surface, on the memorable advent, while we try to talk about collectivity, place, nation. This exhibition is focused on the desire of the future, shedding a light on rising expressions.

Marcelo Campos